Tem palavras que desaparecem da língua. Somem lentamente. Como que por encanto, as pessoas não as pronunciam mais, ainda que e...
Tem palavras que desaparecem da língua. Somem lentamente. Como que por encanto, as pessoas não as pronunciam mais, ainda que elas, enquanto vigoravam, tinham a força dos acontecimentos mais robustos e vibrantes. Foi o fim que levou a palavra tento.
Ela só não sumiu completamente graças ao hino tricolor. Cantado a pleno pulmões nos carnavais, nos estádios, nos aniversários e casamentos, nas bebedeiras, enfim por multidões e corações solitários.
De vez em quando, um distraído locutor esportivo tira do baú do esquecimento essa relíquia da linguagem futebolística, para deixá-la perdida no meio de uma crônica despretensiosa, como um cão esquecido pela gerência.
Todos a conhecem –é verdade , mas poucos a pronunciam. Parece que tem dono e que este a guarda, sob sete chaves, para reconduzi-la de volta nos acordes do seu hino magistral.
E no entanto, a palavra tento é o único sinônimo da palavra gol. Do objetivo maior porque correm como loucos aqueles vinte e dois homens ou mulheres atrás de uma bola, cada vez mais comprometidos com técnicas e esquemas táticos, meticulosamente ensaiados. Os outros sinônimos deste áureo acontecimento não passam de apelidos e expressões jocosas, que não designam, nem de longe, esse sacrossanto milagre.
Talvez seja por esta razão sobrenatural, que os inspirados autores do hino tricolor tenham introduzido a palavra tento nesta magnífica página musical. “Vamos conquistar mais um tento” não é um simples verso, é uma consigna, um grito napoleônico de guerra, digno das pugnas imortais.
As arquibancadas da Fonte Nova clamam pela ressurreição desta palavra mágica, rediviva na boca da torcida que a celebrizou, sempre acompanhada de suas companheiras inseparáveis: mais um, Bahia.
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