Tenho evitado comentar a conjuntura política do país. Sobretudo porque não quero me associar às facções que, atualmente, trava...
Tenho evitado comentar a conjuntura política do país. Sobretudo porque não quero me associar às facções que, atualmente, travam um confronto que beira a guerra civil. Ou talvez até a extrapolem, ainda que tal confronto não exiba escaramuças típicas das guerras convencionais. Temo que minhas palavras possam parecer de algum favorável a qualquer dos atores que degladiam.
Não tenho, como atesta a minha própria vida, seja por palavras ou atos. identidades que autorizem confundir-me com as ideias ou trejeitos do presidente da republica ou, no outro extremo, com o lulopetismo que o voto democrático defenestrou do comando do país. Muito menos, encontro nas demais personalidades que povoam o amplo espectro de forças e correntes políticas e ideológicas quaisquer vínculos que me liguem a suas sinistras figuras.
Talvez esta seja a razão principal que me tira o apetite pela incursão nos assuntos públicos deste calamitoso Brasil.
Me inquieto, todavia, com algo que paira acima dos conflitos em si e da linguagem deletéria com que eles são travados. Vivemos um cotiadiano típico de um dialogo de anormais, a revelar uma gramática e um enredo de uma nação imersa na mais grotesca e primitiva cultura política.
Pouco se me dá , que uma parte ponderável da opinião pública deseje o impedimento do presidente da republica, outra, não menos significativa, almeje o advento de um regime militar, nos moldes do que já experimentamos no passado. São chifres da mesma cabra, se igualam no desprezo à Constituição e aos valores da civilização democrática.
Como desejar o impedimento da mais alta magistratura do país, se ela advem de quase 60 milhoes de sufrágios dos seus cidadãos e não há um crime claramente tipificado que motive o apelo a esta regra constitucional, tão singular e excepcional que dela a nação deve se valer quando está diante de um crime grave.
E o que dizer de uma intervenção militar com seu séquito de horrores, do qual não faltará a destruição das liberdades civis, cuja reconquista no passado custou à Nação os esforços e as virtudes mais profundas dos brasileiros que, até alcançar o continente democrático ceifou tantas vidas e sacrifícios.
São tempos insanos, nos quais tantos cidadãos, dotados dos mais legítimos impulsos, semelhantes àqueles que arrastaram tantos jovens á insensatez das lutas fatricidas, concederam inultimente as próprias vidas à voracidade dos torturadores.
Sinto que, antes de tomar partido em favor das causas tortuosas do presente, está em jogo a saúde constitucional do país, sem a qual sossobraremos todos.
É a Constituição Cidadã que está sendo ameaçada de morte.
É ela que cumpre defender, contra tudo e contra todos!
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