O tricolor de aço está irreconhecível. Estraçalhado, pedaços espalhados revelam uma fratura de grandes proporções. Em sua longeva h...
O tricolor de aço está irreconhecível. Estraçalhado, pedaços espalhados revelam uma fratura de grandes proporções. Em sua longeva história não se tem conhecimento de estrago tão grande em sua unidade. Essa verdadeira hecatombe decorre de uma brutal transformação. Em sua corrente sanguínea foi inoculado um vírus letal. Uma contaminação ideológica, que fez o aço de sua têmpera derreter, diante do clamor de uma torcida traída e atônita, ainda estarrecida com os descaminhos trilhados pelo clube.
Entre a torcida tricolor e a burocracia dirigente do clube estabeleceu-se um fosso intransponível. A torcida, invariavelmete, é um caledoscopio de ideias e preferencias e a burocracia projeta uma visão totalitária do mundo. Este choque interpôs de um lado o mundo da diversidade e do outro o território do "magister dixit", no qual prevalecem verdades auridas em ideologias exclusivistas, que tantos horrores espalharam na história recente da Humanidade.
Tais ideologias obrigam os seres humanos à subalternidade e presumem que o crime prescinde de materialidade ou comprovação. O crime é presumido e potencial e a vítima é aquela que representa circunstancialmente a ideologia dominante. Foi assim na Alemanha hitlerista e no stalinismo soviético. Nessas platônicas ditaduras totalitárias o fundamento ideologico era a luta de classes, o conflito entre a classe dominante e o oprimido. O fracasso dos impérios assim concebidos e o seu séquito de milhões de assasinatos, fez girar a roda da serpente, que, diligentemente, substituiu a luta de classe pelo conflito entre negros e brancos, mulheres e homens, homosexuais e heterosexuais e, desse modo, manteve as sociedades humanas sob a égide dos crimes presumidos, das confissões falsas e da relevância das vítimas.
A luta contra o racismo, tão disseminado entre nós, é necessária e inescapável. Porém, o crime de injuria racial, carece de comprovação e objetividade, nunca de presunção , como fez o desprevenido presidente do ECB. Mais ainda, numa sociedade mestiça, que fez da miscigenação uma forma amorosa e única no mundo de superação do racismo, isolando esta vergonha racial para pessoas e grupos destituídos de uma etica humanista. Não somos -é preciso que se diga- como na Africa do Sul e nos Estados Unidos em que a segregação racial era uma politica de Estado, vivida e aprovada por sua população ou como na Europa em que o colonialismo baseou-se na burocracia e pretensa superioridade racial.
Os desvios e a violência da burocracia que governa o ECB é de tal profundidade que a única saída para preservar o patrimõnio moral e as glorias conquistadas no campo de jogo, é a organização autônoma da sua torcida, a fim de assegurar a si próprio uma imagem legítima de sua cultura e da alma tricolor.
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