O recente episódio de racismo no futebol brasileiro suscitou uma questão que parecia amortecida na consciencia das pessoas . Sobre el...
O recente episódio de racismo no futebol brasileiro suscitou uma questão que parecia amortecida na consciencia das pessoas . Sobre ela tenho tratado sucessivas vezes. Trata-se do modo como a mídia nacional, especialmente a televisão, discrimina o sofrido futebol das regiões nordeste, norte e centro oeste do Brasil.
Impossível desconhecer a desigualdade existente dessas regiões em relação ao sudeste e ao sul do país, decorrente da injusta distribuição das rendas geradas pelas competições nacionais, cuja estrutura expressa uma dominação econômica, incompatível com os princípios federativos , consagrados em nossa Carta Magna. Mais odioso ainda, é a postura editorial das emissoras privadas, todas detentoras de uma concessão de serviço público, regulada em lei, na qual não deixa de ser obrigatória a observância dos direitos iguais de todas as regiões do país, independente de suas particularidades culturais ou desenvolvimento economico e social. O que se vê, contudo, é uma orientação editorial que escapa de forma acintosa e proposital das exigências de uma vida federativa, carregada de preconceitos e concessões humilhantes, quando não de ofensas desabridas e cínicas. A isso não estão isentas nenhuma das redes de TV existentes no pais.
O que se pratica é uma guerra de secessão, um crime constitucional. O fato objetivo de oferecer uma cobertura desigual não chega a configurar tal discrepancia, mas o desnível e a desatenção que se dá aos clubes que, em pé de igualdade participam das mesmas competições, é de tal ordem que os coloca como clubes de última categoria, verdadeiros "sparrings" dos predestinados, para os quais estão reservados os títulos e as narrativas jornalísticas. Esta "guerra de secessão" cria fissuras e abismos entre as regiões, atuando vigorosamente num processo de desunião nacional.
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