Não se passaram mais de três dias para que o jogador Ramirez fosse reintegrado ao elenco tricolor e escalado para jogar. Para mu...
Não se passaram mais de três dias para que o jogador Ramirez fosse reintegrado ao elenco tricolor e escalado para jogar. Para muitos, este fato foi interpretado como se ele teria voltado a figurar no time porque foi “perdoado” pelos títeres que o haviam injustamente condenado ao ostracismo. Poucos perceberam o que estava realmente encoberto neste acontecimento.
O retorno do jogador colombiano às atividades para as quais fora contratado, não se deu porque a direção do ECB deu-se conta do seu comportamento autoritário e equivocado. Neste caso, não lhe restava outra alternativa, senão pedir desculpas públicas ao jogador. O que não aconteceu, por arrogância ou soberba. Simplesmente, Ramirez reapareceu nos verdejantes e silenciosos gramados dos estádios, sem aplausos ou reconhecimento de seu vistoso futebol.
A volta de Ramirez foi o triunfo de uma torcida que não se calou, quando tudo parecia que a inocência sucumbiria aos ardis ideológicos, através dos quais o crime potencial é superior aos fatos objetivos.
Nelson Rodrigues, num exercício de premonição, desvendou o mistério deste silêncio ardiloso: “o canalha é sempre um cordial, um ameno, um amorável” . É preciso, mais que nunca, que não se tome como dádiva, o que foi uma grande conquista.
A torcida tricolor ergueu-se diante dos tiranos que governam o ECB e rebelada demonstrou a sua força e suas convicções, tudo em nome do seu acendrado amor ao grande clube. Me veio à lembrança a genial frase estampada nos muros de Paris, na rebelião de 1968: “abraçe teu amor, sem descuidar-se do teu fuzil!”
Graças à imensa corrente que se formou em apoio ao jogador Ramires, tivemos, mais uma vez, a possibilidade de constatar a força e a influência das redes sociais na governança das instituições. A torcida tricolor uniu-se para contestar uma autoridade mal sã, corrompida em suas concepções ideológicas, a fim de magnificar princípios caros à uma sociedade de homens livres.
Mais do que recuperar a dignidade ofendida de Ramirez, o levante tricolor representou a falência de uma autoridade destituída da legitimidade necessária para adotar as medidas inadequadas, com as quais encarou o falso crime de injúria racial.
Apesar do poder de que desfruta, a burocracia oligárquica que governa o ECB, sem oposição ou contrapesos, pode tirar desse episódio uma lição da qual não deve se descurar: a torcida tricolor é maior do que eles e é a única fonte legítima, capaz de manter o corpo místico, imortal e uníssono do esquadrão de aço!
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